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AMIANTO COMEÇA SER
BANIDO DO BRASIL

CONGRESSO MUNDIAL DO AMIANTO
PASSADO, PRESENTE E FUTURO

 

O Congresso Mundial do Amianto foi realizado em Osasco, São Paulo, Brasil, de 17 a 20 de Setembro, 2.000. Mais de quatrocentos delegados de 32 países participaram das atividades que incluíram sessões plenárias, workshops e mesas-redondas, exibição de fotografias, projeção de vídeos e um concerto musical em homenagem às vítimas do amianto. O significado internacional desta conferência foi reforçado pela participação da OIT- Organização Internacional do Trabalho, sindicatos de trabalhadores nacionais e internacionais, grupos de apoios às vítimas e associações das áreas de saúde ocupacional e ambiental.

Ao juntar os principais especialistas internacionais do amianto de diferentes áreas do conhecimento e profissões, produziu-se interessantes discussões das quais emergiram projetos e novas iniciativas:

- o financiamento das edições de uma revista trimestral em espanhol dirigida à América Latina sobre o amianto;

- uma conferência sobre o amianto na América do Sul a ser realizada em agosto de 2.001 em Buenos Aires;

- uma telefone especial(hotline) para atendimento das vítimas do amianto e de outras doenças ocupacionais no Japão;

- cooperação entre delegados italianos e especialistas do Reino Unido no programa de assistência ao mesotelioma;

- discussões de atividades conjuntas entre ativistas da Eslovênia e Itália na área de saúde e segurança;

- lançamento de campanha anti-amianto na Malásia e na Índia;

- cooperação nos casos de indenização entre os advogados europeus e sul-americanos;

- um possível boicote ao consumo de bens produzidos pelas empresas que negarem indenização às vítimas do amianto;

- a criação da Rede Virtual do Congresso Global do Amianto.

O Congresso também propiciou:

- a surpreendente declaração do Prefeito de Osasco de que ele encorajaria a Câmara Municipal de Osasco a ser uma das primeiras cidades no Brasil a banir os usos do amianto;

- o anúncio de uma iniciativa médica conjunta entre o Hospital Mount Sinai de Nova Iorque e o Hospital de Osasco;

- uma declaração assinada pelos sindicalistas chamando por um banimento internacional do amianto;

- o oferecimento da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo de exibir a exposição de fotos da África do Sul durante o período em que a lei estadual do banimento do amianto será discutida.

O CD-ROM do Congresso Mundial do Amianto incluirá muitas das apresentações das sessões plenárias e de pôsteres e outros documentos e submissões extra-Congresso (que forem aprovadas pelos editores do CD-ROM), que já estão sendo compilados. Uma nota aparecerá no website do IBAS: www.ibas.btinternet.co.uk  quando o CD-ROM estiver disponível.


Declaração de Osasco

 

           Como delegados do Congresso Mundial do Amianto, por meio desta declaramos nossa intenção de constituir e participar de uma nova Rede: a Rede(Network) Virtual do Congresso Global do Amianto. Nossa primeira tarefa com membros desta Rede é lançar a Declaração de Osasco.

           Nós, os abaixo-assinados, afirmamos solenemente nossa intenção de:

1. apoiar e participar dos esforços globais de promover a solidariedade entre os ativistas anti-amianto, grupos e outras organizações;

2. fazer campanhas para alcançar o banimento do amianto em nossos países e no exterior;

3. assistir globalmente as vítimas dispersas do amianto em seus esforços de processar as empresas multinacionais do amianto; igual sofrimento e incapacidade merecem igual tratamento e indenização;

4. denunciar e tornar públicas as tentativas das empresas do amianto de transferir tecnologias desacreditadas do primeiro mundo para os países em desenvolvimento;

5. assegurar um livre fluxo de informações sobre os desenvolvimentos relativos ao amianto, incluindo decisões legais atualizadas, pesquisas médicas, novas legislações;

6. interceder junto aos políticos, sindicatos e outros atores sociais para a adoção de políticas de "transição justa dos empregos", para que estas etapas sejam adotadas o mais rapidamente possível para substituir gradativamente os empregos do amianto e as condições de trabalho que ameaçam a vida;

7. considerar os problemas e soluções sobre o amianto num contexto global;

8. agir em conjunto com nossos colegas estrangeiros em todo momento, respeitando nossas diferenças sociais e culturais;

9. compartilhar experiências pessoais e profissionais na luta contra o amianto para que as estratégias que obtiveram sucesso em um país possam ser adotadas em qualquer outro lugar;

10. monitorar o comportamento e a lucratividade das indústrias do amianto e suas sucessoras.

 

Assinaturas:

Nome:                                        Afiliação:

1. Laurie Kazan-Allen              IBAS-International Ban Asbestos Secretariat

2. Fernanda Giannasi             Rede Virtual-Cidadã do Banimento do Amianto para a América Latina

3. Eliezer João de Souza      ABREA-Associação Brasileira do Amianto

 

A ACPO - Associação de Consciência e Prevenção Ocupacional e a Associação dos Contaminados Profissionalmente por Organoclorados, apóiam e subscrevem a Declaração de Osasco. 

 


...AMIANTO COMEÇA SER BANIDO DO BRASIL


Ciência e Meio Ambiente (Agência Estado)

Quinta-feira, 15 de fevereiro de 2001   


Amianto é banido na cidade de São Paulo



Proibição do uso do mineral na construção civil foi aprovada ontem pela Câmara Municipal

São Paulo - A Câmara Municipal de São Paulo aprovou ontem, em sessão extraordinária, projeto do vereador Antônio Goulart (PMDB) proibindo a utilização de materiais construtivos e equipamentos de construção civil à base de amianto no município. A nova lei, que tramitava desde 1997, deverá ser regulamentada em 120 dias após a sanção da prefeita Marta Suplicy.

São Paulo é o quarto município no Estado a banir o amianto, depois de Osasco, Mogi Mirim e São Caetano do Sul. Reconhecidamente tóxico, o amianto, ou abestos, está proibido também no estado de Mato Grosso do Sul, além de mais de 20 países. No Brasil, seu banimento enfrenta forte oposição do estado de Goiás, onde existe a mineração da substância.

O manuseio do amianto pode causar problemas pulmonares, incluindo o câncer. Além disso, tem grande capacidade de poluir o meio ambiente. É utilizado em 90% das caixas d’água e 70% dos telhados brasileiros. 

Reportagem: Maura Campanili   /  www.estadao.com.br

 


 

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